Dezembro 1, 2023

Sérgio Godinho edita compilação “Sérgio Vezes Três” que resume mais de 50 anos de carreira

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Chegou hoje às lojas  – “SÉRGIO VEZES TRÊS” – a compilação em formato especial que reúne o melhor de Sérgio Godinho. Dividido em três CDs, inclui o melhor “em estúdio” (CD1), “ao vivo” (CD2) e, ainda, “avulsos e outra colaborações”(CD3) com gravações raras e dispersas com algumas surpresas, num total de 66 registos. Contém ainda textos de Sérgio Godinho, Lia Pereira e Pedro Dias de Almeida, todas as letras e reprodução das capas da discografia.
Também disponível, “SÉRGIO”, CD simples com o melhor da discografia oficial em estúdio do “escritor de canções”.
Com o apoio Antena 1.

“Sérgio Vezes Três” é composta por 3 CDs que reúnem o melhor de mais de 50 anos de carreira de Sérgio Godinho.

No âmbito da celebração de cinco décadas de actividade criativa e artística de Sérgio Godinho, a publicação de “Sérgio Vezes Três” reúne o melhor do “escritor de canções” em três discos: o primeiro, “Estúdio”, junta temas que se destacaram nos seus 18 registos oficiais em nome próprio; o segundo, “Ao vivo”, centrado na sua actividade em palco, inclui momentos captados a partir de 1990 e até aos nossos dias; e o terceiro, intitulado “Avulsos (e outras colaborações)”, reúne gravações dispersas e colaborações que o músico foi concretizando ao longo da sua actividade.

Nas palavras de Sérgio Godinho: «Ao sugerir para título desta compilação o sucinto nome “Sérgio vezes três”, tive desde logo a noção de quanto isso seria um ínfimo pedaço da história. Estava-se apenas a arrumar em três convenientes prateleiras uma multiplicidade de universos – cada qual com o seu olhar sobre a vida, o mundo em nosso redor, ora insensato ora sagaz, ora cruel ora generoso, as emoções e as suas formas de expressão, os empolgamentos, as indignações, enfim, a matéria-prima de cada canção: melodias, palavras, rimas e acordes, a tentativa de, vez após vez, definir o que é por essência indefinível. A música paira no ar, as palavras pousam na terra. Porém também a música brota do solo, e as palavras ascendem às nuvens e às estrelas. Como fazer delas um território comum? Deve ser assim que surge e cresce uma canção, mas estou apenas a adivinhar. Cada caso foi um caso, disso lembro-me. O resto dissolveu-se num todo, como a farinha se transforma no pão. “Sérgio vezes muitas”, seria afinal o título certo para este feixe de canções. Mas, mais do que ter que as contar, melhor será ouvi-las. Foram feitas para isso, e é para isso que servem. Caso a caso, vez a vez.»

Com um acervo inacreditável de temas gravados em estúdio e em palco, “Sérgio Vezes Três”  mostra como as canções de Godinho estão plenamente inscritas no código genético de Portugal. Seria redutor, por exemplo, referirmo-nos a Liberdade e à Revolução do 25 de Abril sem mencionar a canção “Liberdade”, incluída originalmente no álbum “À Queima-Roupa”, lançado no ano da revolução, e que podemos redescobrir nesta compilação.

O refrão “a paz, o pão, habitação, saúde, educação” há muito que deixou de pertencer apenas a uma canção, sendo um autêntico símbolo da luta por um país justo e igualitário. Mas “Liberdade” é apenas um exemplo da acutilância com que Sérgio Godinho observa a sociedade e como esse olhar se transpõe em canções intemporais.

Cronista exímio, o amor é outra das temáticas que atravessa a sua obra. Recordemos canções como “O Primeiro Dia”, “Com um Brilhozinhos nos Olhos” ou “Às Vezes o Amor”, que reforçam o talento de Sérgio Godinho enquanto contador de histórias e porta-voz das nossas emoções.

Em “Sérgio Vezes Três” encontramos também a sua vitalidade com alguns dos seus melhores momentos em palco, sendo-nos possível percepcionar que o músico encontrou nos seus concertos um veículo para a renovação do seu repertório, sempre em constante mudança, sempre vivo.

Esta vitalidade é comprovada pela diversidade de locais e formações que os temas retirados de discos gravados no Instituto Franco-Português, em 1990, ou os ao captados no Teatro São Luiz, em 2014 e 2018, nos revelam, e que vão desde a singularidade do acompanhamento ao piano e ao baixo, até grandiosidade dos arranjos proporcionado pelos célebres Assessores, a sua banda há cerca de duas décadas, quando na companhia da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Mas é também neste disco que surge uma das gravações inéditas da compilação, a inclusão de “O galo é o dono dos ovos” numa versão em palco apenas acompanhado pelo piano de Filipe Raposo.

Em “Avulsos (e outras colaborações)”, o terceiro disco desta compilação, a descoberta de repertório que, pelas mais variadas razões, se dispersou por álbuns em colaboração ou projectos especiais – seja pelas velhas canções populares quase esquecidas que Sérgio Godinho recuperou, ou pelas colaborações com pares de distintas gerações, dos seus contemporâneos (José Mário Branco, José Afonso, Jorge Palma ou Fausto) até às gerações que lhes sucederam (entre outros, Clã, David Fonseca, Samuel Úria, Bernardo Sassetti ou Filipe Raposo).
Ou, outra das surpresas de “SÉRGIO VEZES TRÊS”, tema de abertura deste disco, a digitalização de “Nós por cá todos bem”, a canção do filme com o mesmo título assinado por Fernando Lopes, datada de 1977 e recuperada para esta edição.

“Sérgio Vezes Três” traça o retrato de uma obra única que ao longo de mais de 50 anos não perdeu a sua actualidade e, arriscamos afirmar, a sua contemporaneidade. Ao ouvinte é proporcionada a audição de 66 canções – 65, para sermos mais correctos já que “O Primeiro Dia” é repetido na sua versão em italiano “Il Primo Giorno” – que traduzem o percurso, nas suas diferentes vertentes, de um criador e intérprete fundamental da história da música produzida em Portugal (*). Ou, fazendo uso do parágrafo de abertura do texto assinado por Pedro Dias de Almeida: “Lembro-me de canções de Sérgio Godinho desde que me lembro de mim”. Lembramo-nos todos!

De relembrar que Sérgio Godinho anunciou o seu regresso aos Coliseus de Lisboa e do Porto, a 20 e 23 de março de 2024, respectivamente, com o espetáculo “LIBERDADE25”, uma celebração de uma carreira que se confunde com história do quotidiano português.

Textos retirados – Instagram Oficial de Sérgio Godinho e do site Arte Sonora.

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